Doutor em Economia explica o porque isso acontece, e como fazer para evitar o uso inconsciente do crédito.
No mês de abril deste ano, devido à situação financeira do país, o Brasil bateu o recorde de endividamento e inadimplência das famílias, que chegou a 77,7% da população, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). Esse número também é identificado como o maior índice desde do início do mapeamento, em 2010.
Segundo o professor Doutor em Economia, Alexandre Bertoncello, “o endividamento signfica que, 77% das famílias compram à crédito, ou seja, elas adquiriram produtos que irão pagar à prazo, o que não é necessariamente ruim. O ponto é que, aproximadamente 28% das famílias com algum tipo de atraso no pagamento e, por esse motivo, têm restrição no nome e, aí sim, passa a ser um problema. O problema não é utilizar o crédito, mas fazer um uso equivocado, de forma que ultrapasse o orçamento doméstico, e aí surge a inadimplência”.
Ele também explica que o endividamento e a inadimplência não significam automaticamente que as pessoas utilizam-se do crédito de má fé. “O endividamento de 77% está dizendo que parte da população brasileira, que não tinha acesso a produtos de crédito bancários, agora está tendo, e por isso se endividaram. Vamos imaginar quantas pessoas a Caixa regulamentou para o Auxílio Emergencial, e que passaram a ter crédito e começaram a comprar a crédito, o que é um sinal bom. O ruim é que, em conjunto, aumentou a inadimplência, daqueles que tinham crédito, e que passaram a não ter por estarem atrasados nas suas contas”.
Para evitar o endividamento e a perda de crédito como consequência da inadimplência, o professor orienta que “sempre gaste menos do que ganha. Se você ganha 2 mil reais, tente gastar menos. Se ganha 10 mil, gaste menos do que isso. É uma coisa muito simples, e todo mundo acaba esquecendo”. Ele também explica que “os juros dos cartões são atualmente os mais altos que existem. Então, se você faz uma dívida e não consegue pagar, fica aquela bola de neve. O banco sabe que existe esse risco e, por isso, coloca os juros lá em cima”.
