Esta é a segunda CPI aberta por vereadores em menos de três anos, em Presidente Prudente.Primeira CPI, em 2020, recomendou a rescisão de contrato com a Prudente Urbano.
O transporte coletivo de Presidente Prudente vive uma novela sem fim. Na tentativa de “mostrar algum serviço”, a Câmara Municipal de Presidente Prudente aprovou no mês passado, a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar possíveis irregularidades na prestação do serviço do transporte na cidade, pela empresa Sou Presidente Prudente, empresa esta, que assumiu a cerca de um ano a prestação de serviços na cidade, após uma “guerra” ainda não finalizada, entre o Executivo Municipal e a ex-concessionária Prudente Urbano, que havia vencido a licitação para a prestação do transporte, em 2019, licitação feita, à época, no governo do Ex-Prefeito Nelson Roberto Bugalho, que era do PSDB enquanto governou a cidade.
Relembrando as mentes esquecidas, a primeira CPI, realizada em 2020, teve como presidente, o Ex-vereador e atual Vice-Prefeito de Presidente Prudente, Izaque Silva, do Partiota, à época da CPI, hoje no PL, do Vereador Doutor Ênio Perrone, à época, filiado ao Democratas, hoje União Brasil e o Vereador Adão Batista, do PSB, como membro da comissão. O último, não foi reeleito para a legislatura atual.
Por fim, a primeira CPI foi encerrada e nada de concreto foi feito em relação ao transporte, visto que a comissão recomendou a exoneração, à época, do Secretário de Mobilidade, Adauto Lúcio Cardoso e do Assessor da Secretaria, José Wilmar Ferreira Lima, “por ineficiência do desempenho de suas atividades/atribuições”, além do imediato encerramento do contrato de prestação de serviços com a empresa Prudente Urbano. Nenhuma dessas medidas foram aplicadas.
Cardoso e Lima deixaram suas funções ao final de 2020, com a derrota nas urnas do Ex-Prefeito Nelson Bugalho (PSDB).
Em 2021, já no início do mandato do novo prefeito eleito, Ed Thomas, à época, do PSB, a cidade ainda operava o transporte coletivo com a empresa Prudente Urbano, que apresentou inúmeros problemas como greves feitas por trabalhadores, que culminaram em uma intervenção municipal e na extinção do contrato com a Prudente Urbano.
INÍCIO DA ERA “SOU PRUDENTE”
Após um dia sem transporte coletivo na cidade, a Prefeitura anunciou em 08 de dezembro de 2021, que a empresa Santa Cecília, sob o nome fantasia de Sou Prudente iniciaria, por um período de seis meses, a prestação do transporte coletivo na cidade, em contrato emergencial, contrato este que foi renovado por igual período, ou seja, durou cerca de um ano, os contratos emergenciais.
Já em 09 de setembro do ano passado, a Prefeitura de Presidente Prudente lançou novo edital, visando a contratação de uma empresa, em definitivo, com contrato válido por 10 anos, podendo ser renovado por igual período para a prestação do serviço de transporte coletivo na cidade. Apenas a empresa Sou Prudente compareceu ao pregão, sendo declarada vencedora em 6 de dezembro de 2022.
CPI DO TRANSPORTE
Após menos de seis meses do novo contrato oficial de prestação de serviços do transporte, os Vereadores Mauro Neves, do Podemos e Demerson Dias, do PSB, protocolaram um pedido de abertura de CPI para investigar a situação do transporte coletivo da cidade. Segundo os vereadores, a ação foi motivada após denúncias de atrasos nas linhas e má qualidade da prestação do serviço, que segundo contrato, tinha um prazo de 180 dias após a assinatura do contrato, para a regularização, ou seja, oficialmente, o prazo da Sou Prudente para a regularização total do serviço, terminou no último domingo (04).
Agora, os vereadores (que não usam o transporte coletivo), mesmo antes do término do prazo estabelecido por contrato, iniciaram uma CPI, que nem os parlamentares queriam fazer parte da CPI, após 15 dias de silêncio, da Câmara Municipal e impasse nos bastidores, visto, que segundo fontes, a ideia era de que os vereadores que quisessem, de maneira voluntária, participarem da CPI se apresentassem, tal fato, que não aconteceu, por duas semanas.
Por fim, após o grande silêncio e demora na decisão, foram nomeados os membros da comissão: Preside a CPI, a Vereadora Miriam Brandão, do Patriota, que tem passagem apagada pela Casa de Leis e inclusive foi alvo de denúncia, no início da pandemia, acusada de “furar fila” na vacinação contra a Covid-19, em 2021. A denúncia contra a vereadora foi arquivada com votos dos Vereadores Douglas Kato (PTB), Doutor Ênio Perrone (União Brasil), Ivan Itamar (PSB), Joãozinho da Saúde (União Brasil), que mais tarde foi acusado de acumular cargo na Prudenco e na Câmara Municipal, além de tentar dar “carteirada” para a manutenção de seu veículo particular por trabalhadores da empresa de Economia Mista, Professor Negativo (Podemos), Mauro Neves (Podemos) e o atual presidente da Casa, Thiago Oliveira (PTB).
Já o relator da CPI escolhido foi o vereador Demerson da Saúde (PSB), que presidiu a Casa de Leis por quatro anos e foi anteriormente, aliado do Prefeito Ed Thomas (Sem Partido), porém a relação entre os dois ficou “desgastada” após a candidatura de Dias à Deputado Federal, no ano passado, Demerson também foi um dos autores do pedido de CPI.
Por fim, o último participante da comissão escolhido foi o Vereador Professor Negativo (Podemos) que será membro da CPI.
VEREADORES DESENTENDIDOS DO ASSUNTO
Por não serem “entendidos” e nem usuários do transporte coletivo, muitos vereadores demonstram total desconhecimento de como funciona a prestação do serviço. O exemplo é o vereador Ivan Itamar (PSB), que segundo matéria veiculada em outras mídias noticiosas da cidade, sugeriu que a concessionária Sou Prudente providenciasse ônibus chamados “articulados” para resolver a superlotação em linhas que atendem os bairros João Domingos Netto e Ana Jacinta.
O vereador, que mostra total desconhecimento sobre o assunto, visto que, a cidade de Presidente Prudente não tem ruas adequadas para a recepção desse tipo de veículos. Atualmente os veículos do transporte coletivo que trafegam na cidade, operam em carros que tem o comprimento de aproximadamente 11 metros e que tem dificuldades de tráfego em alguns pontos da cidade, um veículo articulado, tem entre 22 e 25 metros de comprimento, o que seria impossível a operação devido à configuração das ruas da cidade.
