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domingo , 13 setembro 2026
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Crônicas

Informativo Publicitário: Desafios e Impactos da Masculinidade Preta nas Relações

Você pode estar se questionando: como uma mulher pode falar de masculinidade, se nãoestá neste lugar, não calçou seus sapatos, nem trilhou seus passos?A especialista, Eunice Porto é graduada em Psicologia há 33 anos, atua há 19 anoscomo facilitadora de Constelação Familiar e Organizacional Sistêmica e é a partirdessa experiência que ela traz algumas reflexões, com o objetivo de ampliar aconsciência, a fim de promover mudanças nas relações entre “eu comigo/ eu com ooutro/ eu com o mundo”.Segundo a visão de Eunice, ao revisitar a história dos homens pretos, é possívelsentir o impacto nas relações em função dos estereótipos criados pelasexperiências de seus ancestrais, afinal de contas, homens pretos eram vistos evalorizados como bons pais, presentes, protetores, fiéis e leais?A psicóloga responde: Não. Eles eram reconhecidos apenas como fortes e boasfiguras para procriar, até porque, era vedado o direito de constituir, manter a própriafamília e ter envolvimento sexual com uma só mulher. O homem negro também foiprivado de se relacionar com qualidade de presença numa relação de afetiva, queprecisava ser escondida, pois se fosse descoberta, seriam punidos. Estesenfrentavam a lei que muitas vezes era “sem amor, só sexo e procriação”.Um homem preto era considerado bom para o “senhor” quando tinha engravidadovárias mulheres simultaneamente, fazendo valer a pena o “investimento” feito nessehomem, que gerava outros homens e todos eles mantinham a linhagem de homensescravizados.É muito comum encontrar homens pretos alinhados energeticamente com oestereótipo do “bom parceiro sexual”,que se relaciona com várias pessoas sem seentregar a nenhuma, de forma totalmente inconsciente, acreditando ser esse omelhor modelo de masculinidade. Esses homens acabam pulando de “galho emgalho”, permanecem ausentes para si mesmos e consequentemente pararelacionamentos duradouros, mulheres e filhos.Em nome de um amor completamente imaturo, se conectam com os ancestrais emseus piores aspectos e garantem o pertencimento, fazendo exatamente igual a eles.Se escondem atrás de vícios como álcool e drogas, todos conectados com a buscade uma paz que não foi possível ter com o próprio pai. Bert Hellinger, criador da Constelação Familiar Sistêmica dizia que todo vício é a busca do próprio pai.De acordo com a psicóloga, Eunice Pontes, desde os tempos mais antigos, quantomenor a classe social mais as festas têm que ser regadas a muito álcool e a embriaguez considerada normal. Homens pretos anestesiados inconscientemente pelo álcool para dar conta da própria dor era e ainda é comum, ser alvo de chacota coletiva também, mas se pensarmos que a cachaça era a bebida mais comum nas
senzalas e funcionava como entorpecente, entendemos sua função histórica, pois o
álcool ajudava a esquecer a dor de ser tirado da própria história, cultura e vida.
Mas você deve estar se perguntando, o que tem isso a ver com a masculinidade saudável, não é mesmo? A psicóloga ressalta que tudo o que foi descrito aqui
influencia diretamente na forma como o homem se enxerga na sociedade.
Enquanto pessoas pretas carregam no DNA toda a história ancestral e vibram na frequência desse campo morfogenético ou vibratório que as mantêm conectadas a todos eles por amor, tudo está em ordem. A desordem se manifesta a cada
momento que desejamos “mudar o passado” e para garantir o pertencimento honramos cada um deles repetindo a história, muitas vezes nos piores aspectos e tudo isso em nome do amor.
Assim são construídas relações extremamente dolorosas entre estes homens e
seus descendentes, que como “maldição” só dão o que receberam e se receberam pouco, se doam do mesmo jeito. Esse padrão inconsciente repetido de geração em geração, acaba causando um estrago na relação masculina, pois a ferida de um
ancestral que foi privado de viver em paz com sua família, acaba impactando em todos que vierem depois. Por isso vemos homens abandonando seus filhos sem olhar para trás ou mantendo a distância, mesmo morando sob o mesmo teto. Para
evitar a expressão de amor e se machucar, acabam muitas vezes cumprindo o papel de provedor à distância.
Na visão de Eunice Pontes, nada disso é um exagero, pois as feridas tratadas hoje
em adultos, vem de uma criança interior machucada, com crenças e pactos
extremamente limitantes em relação a si, aos homens e a própria vida. Para a
profissional, têm sido cada vez mais assustador o aumento no número de homens
que precisam ser fortes e dar conta de tudo, que aprenderam a não compartilhar dor
para fugir do julgamento de outros homens, pois o que se sabe é que um homem se
resolve sozinho. Hoje, estes filhos e netos passaram a falar na tentativa de entender
os impactos e consequências em suas vidas e todos os vínculos.
Hoje alguns homens pretos buscam e fazem o possível para que através do
autoconhecimento, entendam, aceitem e passem a construir um novo capítulo na
história.
Mas como fazer diferente? Deixando os ancestrais com o que coube a eles e
construindo uma nova história, tomando de cada um destes homens a força,
energia, fé em dias melhores, vitalidade e a alegria, sem tentar mudar a história ou
destino, até porque isso é impossível. Não é possível mudar o passado, mas sim
construir no presente uma nova história baseada em escolhas conscientes que impactam e liberam os que vierem depois a serem melhores. Isso é amor em ordem.
Eunice Pontes destaca certa infelicidade, pois muitos homens pretos que inconscientemente fazem questão de manter este velho padrão de pertencimento, como uma peças vendidas no mercado de escravos , exibem seus corpos para
serem escolhidos. Forçam para que o tamanho do pênis seja visto e valorizado antes, deixando o caráter de lado. Assim, permanecem garantindo o pertencimento e são escolhidos da mesma forma que eram seus ancestrais.
Para a especialista, um homem preto saudável, vive a vida no presente, fala sobre vulnerabilidade, se mostra forte e cuida das relações em que se envolve, garantindo que pode ser sensível e forte e essa parceira ou parceiro, pode confiar e se
entregar. Ele pode ter a masculinidade ancestral em sua totalidade.
Eunice ressalta que não é fácil se libertar de algo imposto, desde o início da vida, mas que é possível sim viver uma vida saudável e ainda destaca alguns pontos que podem ajudar nesse processo de autoconhecimento.

Confira:
1 – Comece cuidando da sua criança interior. Ela vai lembrar de muitos momentos e pactos feitos para que a dor sentida na infância pela ausência, abandono ou rejeição, deixem de ser sua marca, inconscientemente, registrada. Essas feridas
atropelam seu eu adulto, que se mostra vulnerável, birrento, exigente e cobrador e em função dessas feridas, se perde na autoproteção.
Quer saber um pouco mais? Participe da vivência da Criança Interior. Você irá se surpreender ao descobrir o quanto toda história ancestral ainda está presente em seus comportamentos, como a energia masculina.
2 – Agradeça a vida que veio de seus ancestrais com tudo que foi possível e tente
fazer diferente, nem melhor nem pior, mas diferente. Isso te libera a ter uma energia
masculina saudável nos aspectos que eles tiveram e a fazer diferente em tudo que
for possível.
3 – Não julgue seu pai ou sua mãe. Toda vez que você os julga ou assume o lugar
de cuidador e defensor de um, do outro ou dos dois, diz silenciosamente “não, eu
não queria esses pais, ou que a vida fosse assim” e ao dizer não, cria expectativas,
se perde de si e fica sem energia.
Nada disso é fácil, mas com conhecimento se torna possível.
Serviço:
Para mais informações acesse: @euniceportoreal

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